A Pagã com uma Cruz na Porta

Submetido por merlin em 2006-04-26 12:24:47 com as tags .

A Pagã com uma cruz na porta (à esquerda do pentáculo)

Texto da autoria de Smog Kills

Praticamente todos os Domingos de manhã, passo pelo mesmo ritual:

Prepáro o meu filho mais novo, verifico que o meu marido toma um pequeno-almoço suficientemente decente, tomo banho, visto-me, escondo um pentaculo de prata torcida dentro da minha blusa e ... coloco toda a familia no nosso carro para ir à missa Católica.

Crescer numa casa de raizes envangelicas deixou-me a sentir-me espiritualmente vazia. Sendo alguém que é, por natureza, uma pessoa profundamente espiritual, a príncipio tentei preencher o vazio dentro de mim com o que eu conhecia. Voluntariei-me para ajudar no centro de dia da igreja. Tanto frequentava como ensinava na catequese todo o ano e no verão ensinava na Escola Biblica de férias. Cantava no coro, executava solos, e levei os meus pais a assistir os serviços adicionais das noites de Domingo e Quarta-feira. Mas isto ainda não era o suficiente; faltava qualquer coisa, então foi ainda mais longe. Fui de porta em porta a convidar pessoas para a nossa igreja e assisti os estudos biblicos na minha escola média (duas coisas que eu secretamente pensava que eram bastante tacanhas). Acima de tudo, eu rezava para acabar a minha maior vergonha. Eu rezava para sentir verdadeiramente a realidade de um Deus sólido e para encontrar o meu caminho na vida.

Finalmente Deus respondeu às minhas preces.

Eu conheci uma amiga Católica na escola e comecei a ficar interessada na Igreja Católica. Parecia tudo tão escuro, mistico, profundo e sagrado. Tenho a certeza que não atrapalhou que tudo o que é Católico fosse um pouco taboo em minha casa. Mesmo que a minha familia não fosse profundamente crente, eles ainda tinham aquele ódio firmemente enraizado de tudo o que seja Católico.

No meu próprio tempo, comecei a requisitar livros da biblioteca da minha escola e da biblioteca da minha cidade acerca da mais antiga das Igrejas Cristãs. Foi através deles que eu inicialmente descobri Maria como a Mãe Abençoada. Ela era alguém que eu conhecia da minha Igreja Envangélica, mas apenas de forma passageira. A fé Católica dá realmente substância à pessoa de Maria. Ela tem pensamentos e sentimentos próprios. Ela era a terna virgem, mãe amorosa e sábia idosa para todos nós, tal como para o seu filho. Após alguns meses de pesquisa, encontrei coragem suficiente para visitar a Igreja Católica da cidade. Atingiu-me quando passei pelas portas. Eu suave cheiro a incenso colava-se ao tecido, um belissimo altar estava colocado ao centro, à frente, e para a esquerda estava uma pintura da Mãe de Deus. Filas de velas oferecidas cintilavam em frente dela, e eu caí de joelhos para lhe agradecer por me deixar encontrar este local magnifico.

Não era regularmente, mas quando conseguia, esgueirava-me para a igreja Católica e deixava flores oferecidas em frente da imagem dela. Comprei uma pequena estátua dela para manter na mesa de cabeceira junto da minha cama. Quanto mais informações eu devorava acerca de Maria, mais eu descobria que ela era comparada a uma Deusa, e que o filho dela era o meu Ser que Deus. Também descobri que a imagem dela na forma de Nossa Senhora de Guadalupe era uma ligação directa dos antigos Deuses Mexicanos e que existem também ligações a ela dos antigos Deuses Celtas. Tudo fez sentido e eu comecei a olhar para todas as principais religiões do mundo.

Inicialmente através da Internet, e mais tarde através de livros. Eventualmente encontrei a Wicca. A Wicca foi a primeira religião que me fez sentir como se aquela fosse o meu caminho. (Isto pode ser uma frase comum entre os pagãos que vieram de outros passados religiosos, mas esta é sempre a verdade!) Concentrei toda a minha energia espiritual em ganhar um melhor entendimento da Wicca e mais tarde do Paganismo em geral. Durante a escola secundária e Universidade (High School and College) entrei mais profundamente em águas pagãs e bebi delas profundamente. Finalmente senti o chamamento de me iniciar como Bruxa durante o meu primeiro semestre na Universidade e comecei a praticar magia simples. Não muito depois disso, encontrei a minha melhor amiga e instrutora espiritual no site WitchVox. Através dela, tive portas abertas para mim para a comunidade Pagã fora da internet.

Não muito depois disso, conheci um simpático rapaz Católico que se viria a tornar o meu marido e comecei a redescobrir o meu amor pela igreja Católica e partes do Cristianismo. Assisti aos serviços com ele de tempos a tempos e encontrei muito valor em muitas lições ensinadas. Juntos começamos a mergulhar mais profundamente em ambas as religiões. Ele deixou de ser alguém que ia à igreja quando calhava, para ser uma alma espiritualmente activa. Eu comecei a ver que o Paganismo não é algo de natureza branca-e-preta, nós-contra-eles. O Paganismo é uma religião cheia de cores e texturas de séculos. O meu marido viu os aspectos pagãos da religião dele e, enbora não seja capaz de dizer que ele os aceita todos completamente, aceita o facto de que Deus pode ter mais do que uma face, e que existe mais do que um caminho para o outro lado desta vida.

É muito facil sentirmo-nos como o tipico "deslocado" quando se tem uma estrutura de fé como a minha. Na igreja posso sentir as pessoas a olharem para a minha razoavelmente aberta tatuagem Pagã. Noutras alturas posso sentir as perguntas nunca feitas de outros New Agers. Eu sei que as pessoas olham para pessoas como eu e perguntam como conseguimos fazê-lo. Eles perguntam-se como justificamos assistir uma missa Cristã e ajoelharmo-nos perante um altar Pagão, muitas vezes no mesmo dia. Eu não posso responder por mais ninguém, e não posso dizer que eu e o meu marido temos todos os problemas religiosos resolvidos, mas as minhas razões pessoais são suficientemente simples. Eu vejo a Deusa em Maria e o Deus no filho dela. Encontro valor em muitos dos ensinamentos de amor, esperança e caridade da Igreja. Entro na missa, muito como entro numa aula. Não tenho que acreditar em nada do que é dito, mas faz-me sentir uma pessoa mais polida se o consigo perceber. Também sinto que ser parte das práticas religiosas do meu marido e ele fazer parte das minhas torna a nossa ligação mais forte.

No final, o que eu gosto mais de como eu livo a minha religião é que eu sei que faço parte de uma religião em que eu me sinto livre de incorporar partes das práticas Católicas tradicionais, e que incorporando essas práticas não estou a confundir nenhuma das estruturas básicas de crenças Pagãs que eu mantenho queridas.

Encontrei o meu caminho.
Add to del.icio.us! Furl this! Adicionar ao Do Melhor! Adicionar ao Sites Favoritos
Leia outros artigos com em
Contacte-nos Link para o Culto