Analise ao conto
O mito de Hércules enfrenta a escolha entre seguir o princípio do prazer ou o princípio da realidade na vida.De forma semelhante o faz o conto Os Três Porquinhos.
OS TRÊS PORQUINHOS gozam tanto da predileção das crianças que foi transformado no Brasil, em cartilha de alfabetização.Esta estória conta, simbolicamente, o PROGRESSO feito pelos seres humanos ao longo da sua História.
A primeira casa construída pelo primeiro porquinho é uma choça de palha muito desajeitada. O segundo porquinho já construiu a sua casa trabalhando mais evolutivamente com pedaços de madeira e a terceira casa é uma casa de tijolos mais caprichada, mais segura e confortável.
O símbolo da vida sob o domínio do prazer está sendo demonstrado aí, os dois primeiros porquinhos simplificaram as suas tarefas para poderem folgar mais depressa, pediam por gratificação imediata sem muito trabalho. O futuro para os dois primeiros porquinhos, era longínquo e nele não cabiam realidades desagradáveis. Mas, houve um certo desenvolvimento demonstrado pelo porquinho do meio.
O terceiro porquinho o mais velho, já aprendeu a viver com mais realidade, ele não vai brincar antes de construir seguramente a sua realidade presente prevendo mais tranqüilidade e segurança no futuro. Este porquinho até já consegue adivinhar o pensamento do lobo mau e qual seria o seu comportamento se encontrasse facilidade em penetrar na sua casa. O lobo é o seu inimigo e encarna o estrangeiro "de dentro", que irá tentar seduzi-lo e faze-lo cair na sua armadilha. O terceiro porquinho se mostra capaz de prever as ações e de derrotar inimigos mais fortes do que ele. O lobo feroz é a encarnação dos poderes não sociais, inconscientes, devoradores contra os quais devemos nos proteger e derrotar com a força do nosso ego.
Há uma observação quanto á demonstração da previdência de um futuro tranqüilo explicitada nas ações do porquinho mais velho. Ele já fez o seu estoque de comida que guardou dentro do seus domínios, portanto, quando o lobo tentou seduzi-lo com a perspectiva de comida farta e deliciosa, FORA DE CASA, refestelado em sua poltrona o terceiro porquinho não cede. Esasperado, o lobo se prepara para mata-lo, mas a astúcia do dono da casa o atrai para a chaminé e quem acaba como estoque de carne, para o porquinho, é o lobo mau caindo da chaminé, direto, para a panela de água fervente.
A criança sentirá que uma justiça retribuidora foi feita: o lobo que devorou os seus dois incautos irmãos anteriormente, terminou os seus dias como banquete e estoque da sua despensa.
OS TRÊS PORQUINHOS, além de ensinar á criança a diferença entre devorar e comer se atendo ás suas reais necessidades, faz a identificação dela própria com todos os três porquinhos, que são "pequenos" como as crianças mais jovens e imaturos como ela própria, há também o factor do reconhecimento da criança de que, através de cada um dos porquinhos com os quais se identificou, houve uma progressão da sua identidade.
Texto retirado do livro "A Psicanálise dos contos de fadas" de Bruno Bettelheim.
OS TRÊS PORQUINHOS gozam tanto da predileção das crianças que foi transformado no Brasil, em cartilha de alfabetização.Esta estória conta, simbolicamente, o PROGRESSO feito pelos seres humanos ao longo da sua História.
A primeira casa construída pelo primeiro porquinho é uma choça de palha muito desajeitada. O segundo porquinho já construiu a sua casa trabalhando mais evolutivamente com pedaços de madeira e a terceira casa é uma casa de tijolos mais caprichada, mais segura e confortável.
O símbolo da vida sob o domínio do prazer está sendo demonstrado aí, os dois primeiros porquinhos simplificaram as suas tarefas para poderem folgar mais depressa, pediam por gratificação imediata sem muito trabalho. O futuro para os dois primeiros porquinhos, era longínquo e nele não cabiam realidades desagradáveis. Mas, houve um certo desenvolvimento demonstrado pelo porquinho do meio.
O terceiro porquinho o mais velho, já aprendeu a viver com mais realidade, ele não vai brincar antes de construir seguramente a sua realidade presente prevendo mais tranqüilidade e segurança no futuro. Este porquinho até já consegue adivinhar o pensamento do lobo mau e qual seria o seu comportamento se encontrasse facilidade em penetrar na sua casa. O lobo é o seu inimigo e encarna o estrangeiro "de dentro", que irá tentar seduzi-lo e faze-lo cair na sua armadilha. O terceiro porquinho se mostra capaz de prever as ações e de derrotar inimigos mais fortes do que ele. O lobo feroz é a encarnação dos poderes não sociais, inconscientes, devoradores contra os quais devemos nos proteger e derrotar com a força do nosso ego.
Há uma observação quanto á demonstração da previdência de um futuro tranqüilo explicitada nas ações do porquinho mais velho. Ele já fez o seu estoque de comida que guardou dentro do seus domínios, portanto, quando o lobo tentou seduzi-lo com a perspectiva de comida farta e deliciosa, FORA DE CASA, refestelado em sua poltrona o terceiro porquinho não cede. Esasperado, o lobo se prepara para mata-lo, mas a astúcia do dono da casa o atrai para a chaminé e quem acaba como estoque de carne, para o porquinho, é o lobo mau caindo da chaminé, direto, para a panela de água fervente.
A criança sentirá que uma justiça retribuidora foi feita: o lobo que devorou os seus dois incautos irmãos anteriormente, terminou os seus dias como banquete e estoque da sua despensa.
OS TRÊS PORQUINHOS, além de ensinar á criança a diferença entre devorar e comer se atendo ás suas reais necessidades, faz a identificação dela própria com todos os três porquinhos, que são "pequenos" como as crianças mais jovens e imaturos como ela própria, há também o factor do reconhecimento da criança de que, através de cada um dos porquinhos com os quais se identificou, houve uma progressão da sua identidade.
Os TRÊS PORQUINHOS desvia-se do padrão de que a criança mais jovem, embora de início desprezada ou escarnecida, torna-se vitoriosa no final. Nesta estória é o porquinho mais velho quem vence a parada. Dá ao lobo o que ele merece.
Texto retirado do livro "A Psicanálise dos contos de fadas" de Bruno Bettelheim.


