Apenas uma palavra

Submetido por merlin em 2006-11-19 19:29:38 com as tags .
Em seu belo livro O Velho e o Mar (Bertrand Brasil), Ernest Hemingway relata a história de Santiago, um velho pescador cubano que trava contato com dois infernos. O primeiro é a ausência de sorte, que o levou a ficar 84 dias sem pescar um peixe sequer.

A fase ruim levou o pescador Santiago a conhecer a penúria e sua tristeza ficou maior quando perdeu seu auxiliar, um garoto que não só o ajudava como o admirava, mas que se transferiu para um barco de melhores resultados. Santiago, porém, não é homem de lamúrias, muito menos de desistências. Parte sozinho para alto-mar, sentindo falta do garoto, mas acompanhado por uma forte certeza de que "hoje será um grande dia para a pesca de marlins".

O segundo inferno ele conhece após ter visitado o céu. Fisga um peixe enorme, com o qual trava uma batalha de três dias. Consegue vencê-lo, trazê-lo até o pequeno barco e amarrá-lo ao costado - pois dentro não cabia, maior que o próprio barco ele era. Santiago, só contentamento, passa a viver o novo martírio. Tubarões, atraídos pelo sangue do peixe morto, começam a aparecer e a arrancar-lhe pedaços. Continua a lutar com as forças e as ferramentas que lhe restam. Tudo em vão, pois os tubarões não param de chegar. Quando finalmente atinge a praia, apenas arrasta um enorme esqueleto inútil.

A cena que segue é repleta de tristeza - c enorme beleza. Seu amigo, o garoto aprendiz, o procura, declarando sua preocupação com o desaparecimento do mestre por três dias, e lhe diz que vai voltar a pescar com ele, pois quer aprender mais. Santiago, desolado, diz: "Não é mais possível, a sorte me abandonou por completo". Ao que o garoto retruca: "Não se preocupe, eu levarei a sorte comigo". Esse argumento foi o suficiente para o "velho" se recuperar.

A desesperança dá lugar ao ânimo para seguir em frente. "Precisamos de uma nova lança. Podemos fazê-la com qualquer chapa de aço de um velho Ford." Rapidamente Santiago renasce, lembrando que ainda haveria pelo menos três dias de brisa forte, e que eles deveriam ser aproveitados. A sorte voltaria, trazida pela brisa da esperança. Exatamente como nossa vida deve ser; sempre pra frente...
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