Demônio no espelho

Submetido por merlin em 2006-03-30 07:39:25 com as tags .

Prazer, meu nome é demônio,
os gregos me chamavam de psyche
Mas eu prefiro me chamar de um nome:
o seu nome.

Eu sou fingido, sou artista um hábil malabarista velho, já encarnei mais vezes do que você pode imaginar Sou orgulhoso, metido para você eu sou um doido varrido E talvez seja mesmo, quem sabe? Adoro Netzach
Na lonjura da sua loucura eu procuro a tua figura e ai de ti, se eu te achar Queres saber quem eu sou, pois então vê se presta atenção porque só uma vez vou te falar
Eu sou teu sonho, teu corpo, tua mão sou a árvore que você vê, o céu e o chão mas apenas quando estes estão refletidos no teu ego bruto, embora desafiador Eu sou a tua realidade, a tua projeção sou a tua cidade, a tua nação quando tu vês alguém, tu me vês Mas eu não sou esta pessoa, assim como não sou tu -- eu sou tu em consciência desta grande alucinação
a qual tu chamas tua vida
Quando me encontras tu entra em chamas teu coração bate forte, tua mente, quase insana ninguém me aguenta, mas admito, tem gente que tenta, mas em vão, ser meu amigo Eu amigo? Não sou bem nem mal, sou o Conhecimento me chamaram de Choronzon, que nome horrendo! eu sou rico, bonito e poderoso se você é mulher, sou charmosa, gostosa, cheirosa, perceptiva Enfim, vou resumir senão te embaralho: sou teu Ego, teu desejo, tua ansia, teu ser tua incapacidade de amar e de se dar Eu sou o teu apego
Alguns pensaram que eu era inimigo,  mas vou te dizer,  sem mim tu estarias perdido, ou melhor, nem teria existido Portanto, vou te dar um conselho porque estou de bom humor Eu sou o escaravelho, a vida, tu, o ator Mas nao caia tu na tolice de me adorar ou render culto pois eu sou tu, imbecil inculto! Agora de novo vou resumir brevemente para que  clarifique a tua mente: EU SOU A NEGAÇÃO DO OUTRO
O que é a negação do outro?, tu me perguntaste assustado Eu respondi, meio irritado "É A NEGAÇÃO DO QUE TU TOLAMENTE CHAMAS DE REALIDADE!" Por isso cedo ou tarde tu vais me conhecer Se teus pés forem o caminho da iluminação percorrer E se de mim passares, se eu não te conseguir seduzir Serás Mestre dos mortais, do rei e do vizir, não terás mais nada, terás o fruto que eu escondo e proibo os homens de pegarem: a imortalidade no vazio do que chamaram de Dharma
Quando tu me encontras? Quando abres mão da tua realidade, sem dó  nem piedade Quando o poder está em ti, não fora, mas erradamente,  o usas para ver o teu mundo como se fosse uma lente e vês a ti mesmo e nada mais! Eu sou o que os Hindus chamaram de Atman, Chaitanya quando tu me vês, tu vês o mundo todo como se fosse de ti mesmo projetado
E quando tens essa visão, se assusta, tua boca falastrona e tua mente  boba rapidamente calam e amadurecem como eu faço bem para os mortais! Quando tu me encontras tu vês o quanto tu gostas desta ilusão que tu chamas vida, e reencarnação Tu vês o quanto tu gosta da separação, pois sem ela acaba o amor, e só há solidão, solidão, mil vezes solidão e dor!
Porém aí há uma passagem estreita que não arrisques te jogar com toda tua força  antes que estejas preparado, para teu bem: O teu Grande Sacrificio, quando és crucificado ou não, se teu ego ilusório for acorrentado então, futuro, presente e passado,  se tu tiveres sucesso, se dissolvem na divina compaixão
Agora te explico que não sou quem tu chamas de Lúcifer este é por mim odiado Eu sou o que chamam de Jeová, o deus do ego, o vingador, o imolador, o amaldiçoador, o deus da matéria eu sou teu ego mais baixo se eu pudesse resumir ainda outra vez eu sou a beleza da tua ilusão, aquela mulher, aquele homem,  aquele carrão
Lúcifer, meu abnegado irmão é tu mesmo, preso na ilusão caído, perdido, lembrando aquele paraíso pensando que existes, que teu eu é real Lúcifer é o amor do sábio O brilho no olho do mago O Mestre, o que tem a luz
Mas te digo uma coisa agora e escutes bem eu não gosto de ninguém eu sou teu sonho, tua ilusão Quando tu olhar o outro e erradamente veres ele como tua projeção, ao  invés de  veres ele como tua irmã ou irmão Então saibas tu que estarás brincando comigo Então busca para isso o antídoto: lê o que falou o Buddha, o Iluminado sobre a compaixão, sobre o Anatman o não-eu, e então terás o prêmio, que é a libertação pois terás abrido mão do teu ego, então,  serás um Mestre deste teu sonho, desta tua ilusão
Mas comigo não se brinca Eu sou cruel, rio, torturo, xingo, te humilho no monturo do teu ego eu te pilho Eu sou o Coringa 
E muitos caem na minha loucura com mentes imaturas lhes falta amor, compreensão e mergulham de cabeça na minha visão achando se tratar de solução !!!
É o caso das lendas dos que vocês chamam vampiros eles mergulham fundo no ego e me encontram Eu cuspo neles, rio deles e os aprisiono e para sempre eles estão sozinhos, sem alma, sem o sentir, o corpo astral deles eu tomo para mim,  muitos não aguentam a caem na loucura, que sou eu próprio Se você quer saber os que são meus olha os corpos astrais deles estão sempre deslocados, para o lado, por isso nas tuas lendas eles são frios, pálidos, o Sol lhes queima a  pele e possuem péssimos hábitos
São poucos, é verdade, pois a falsidade não aprisiona os homens como eu teria desejado Então eles vêem mesmo sem perceber, o vazio do sonho, mas sem enlouquecer, eles se entregam em amor pelo sonho, e o amor os salva de mim. 
Portanto o amor não é algo,  um ideal bonito que tu deverias ter o amor é o teu salvador é a tua chance de viver o amor e a sabedoria te dão mais do que te daria em mil anos de loucuras
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