Filosofando sobre Acção e Reacção

Submetido por merlin em 2006-02-08 19:19:08 com as tags .
Muitas vezes se cai na generalização sobre aquilo que nos acontece. Acontece-nos algo menos positivo e queixamo-nos com lamentos do tipo "a mim tudo me acontece" ou "mas porquê, fiz algum mal a alguém?". Ou então, caímos no outro extremo e dizemos que tudo aquilo tinha de ser e pronto.

Na minha percepção, nenhuma das hipóteses está correcta e estão ambas correctas. Pois... Se é verdade que as coisas nos acontecem por um motivo, também o é que esse motivo partiu de nós. A lei do karma ajuda-nos a compreender isto um pouco melhor. Esta lei mostra-nos o delicado equilíbrio do universo e como todas as nossas acções têm consequências que passam muitas vezes por outras pessoas e voltam a nós como um boomerang. Essas acções não compreendem apenas aquilo que possamos fazer aos outros, mas também aquilo que fazemos a nós próprios com pensamentos, palavras e acções. Cada pensamento é uma acção, já foi até provado cientificamente. Vejamos as coisas duma outra forma...

Tudo é composto por moléculas, átomos, protões, electrões, neutrões, etc... (lá vem ela com a história da energia... hehehe) E do ponto de vista destas partículas nós não somos sólidos, certo? Então, ao andarmos, além de provocarmos uma deslocação de ar (de outras partículas), está a haver uma interacção entre as nossas partículas e as do ambiente que nos rodeia. Então, cada movimento nosso provoca sempre uma qualquer reacção consoante o que seja a acção. E, tendo em conta que o pensamento é uma forma de energia (estudado e comprovado), é fácil de perceber que um simples pensamento possa causar também uma reacção. Esse movimento vai causar um outro movimento que por sua vez vai causar um outro porque está tudo interligado... tal como quando lançamos uma pequena pedra num lago.

Podemos, então, imaginar o alcance que pode ter uma simples acção, um simples pensamento. E como não vivemos dentro dum buraco negro nem num saco de congelação a vácuo ;))... todas estas trocas energéticas provocam uma resposta algures. Depois, além deste simples exemplo, intervêm mais factores que podem ter os mais variados nomes. E tendo em conta que o universo é vastíssimo, esse efeito pode não chegar de imediato (sendo o conceito de imediato muito subjectivo... :P ). Mas este assunto dá pano para mangas e é óptimo para filosofar, por isso não não me vou alargar mais por aqui.

Como ia dizendo, aquilo que nos acontece tem uma razão de ser. Experimente olhar para trás, na sua vida, e observe calmamente cada experiência por que passou (mais ou menos positiva) e veja o que tirou dela. Não superficialmente, mas analise bem e verá que sempre tirou alguma coisa de bom: uma aprendizagem, um fortalecimento de algo... o que for. Procure bem e veja se não procurava ou não lhe fazia falta esse resultado na sua vida. Bem, até pode achar que não, mas veja se não lhe foi útil mais tarde ou talvez ainda venha a ser... quem sabe?

Então, se a cada momento da sua vida tem uma opção a tomar (se há-de fazer isto ou aquilo, se vai por um lado ou pelo outro, se sente aquilo ou aqueloutro...) e se cada acção tem uma reacção, pode perceber que a cada momento está a criar a sua vida. Depois, dependendo de outros factores e outras decisões/acções complementares, cada acção pode ter um efeito maior ou menor, tal como a pedra no lago, dependendo da forma como a atira, da força, do vento, da água, - enfim, duma série de factores -, provocando ondas maiores ou menores. E essas ondas podem fazer-se sentir por mais ou menos tempo, criar uma onda de volta ou não... Sendo assim, cada acção é sempre diferente e nada pode ser comparado porque o conjunto de factores nunca é exactamente igual.

Experimente meditar em tudo isto e ver onde as conclusões o levam.

A cada momento estou a criar a minha vida. E se tenho a oportunidade de criar uma vida melhor porque não fazê-lo?! Tenho a oportunidade de escolher o que sinto (pode continuar a ser um processo automático ou pode tornar-se consciente), tenho a oportunidade de escolher aquilo que penso sobre os outros (para benefício de mim mesma)... posso escolher uma série de coisas que passam pelos outros ou só por mim. Mesmo em situações que parecem surgir por imposição do destino, em que parecemos não ter hipótese de escolha... olhe de novo... no mínimo, podemos mostrar várias versões de nós mesmos. E não se desculpe perante a vida dizendo que não tem culpa de ser como é. Todos nós temos responsabilidade sobre a nossa maneira de ser. É verdade que muitos factores contribuem para nos moldarmos, mas nós temos sempre a palavra final, o aceitar ou não a forma como aquela experiência nos molda, escolhendo uma das várias hipóteses. Já viu como pessoas diferentes sob as mesmas circunstâncias de vida, são afectadas de formas diferentes? Então, aí tem. Existe algo chamado personalidade, carácter, maneira de ser, sim. Mas também aí temos responsabilidade. É fácil atirar as culpas para algo exterior a nós próprios, sentimos a consciência mais leve. ;o)

Agora, imagine se cada um de nós assumir a sua responsabilidade. Claro que vamos querer o melhor para nós. E ao mesmo tempo, querer o bem ao próximo será fruto não de altruísmo, mas sim de egoísmo. Sim e não. Mas tudo varia consoante o conceito de cada um. E daí, seja por que razão for, dando-lhe o nome que queiramos, é muito mais benéfico para nós e em consequência... para os outros ou será ao contrário? :P

Vale a pena pensar nisto!

por Sofia Morgado Universo de Luz
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