Irmãs Árvores
Submetido por merlin em 2006-05-05 23:50:55
com as tags Mário Scherer poema.
Ouve-me, pequeno Lobo, pois ensinarei como te reencontrares com as energias. A primeira conquista deve ser um convívio mais fraterno e próximo com as irmãs maiores, as árvores.
Muitas delas na cidade - como ocorre contigo - são pricioneiras do calcetado e do cimento. Retorcidas e enegrecidas pelo ar poluto, ali estão à nossa passagem para segredar em seu silência que há uma cristalina essência dentro delas.
Nos passeios e na corrida de disputas em que transformaste o cotidiano, busca-as com os olhos tão injetados de artificialidade que cada esquina a poluição dos cartazes publicitários te obrigam a tomares conhecimento de mensagens e mais mensagens de coisas que não queres mas que são oferecidas em duvidosa informação. Da janela do ônibus que te conduz ao trabalho, desvia os olhos dessas propostas e sorri com doçura para as árvores que acenam com suas folhas rebrilhantes de sol...
Desejo que conheças muitos tipos de árvores. Procura identificar suas diferenças, o tipo de tronco e folhas que possuem. Em algumas, folhas largas; noutras, estreitas ou, ainda, rendadas. Observa seus perfumes, flores e frutos. Muitos iniciados Xamãs dão nomes próprios a elas, pois não conhecem os nomes pelas quais são identificadas pela ciência ou pelo popular. Poderás chamar essa, próxima à tua casa de Marta; aquela outra, de Grande-árvore-com-espinhos, Um ipê amarelo, de amarelinho. Não importa que conheças seus rótulos, mas importa, isto sim, que as conheças particularmente, e que as ames.
Numa segunda etapa buscarás uma aproximação mais efetiva. Talvez num fim de semana possas passear num parque ou numa pequena praça pública. Aproveita para abraça-las. Senti-las... Mas, para que exista uma verdadeira comunicação entre seres diferentes, é necessário que haja algo que os uma. Alguma coisa comum a eles. Dizer "bom dia" para uma árvore será apenas uma romântica gentileza. Ela não saberá responder com um sonoro bom dia, como desejarias. Mas atenta que ela, de repente, pronunciará um enorme discurso sobre a beleza, lançando ao ar uma de suas folhas. Esse ele que liga seres aparentemente tão diferentes existe por serem eles expressões de um mesmo Espírito. Por isso, um entendimento certamente, acontecerá! Não só na poesia carinhosa de um abraço, dos beijos, das coisas bonitas que podes dizer a ela, mas também na troca de energias que ocorrerá ao sintonizares com essa irmã.
São duas almas que se encontraram, frutos da mesma fonte luminosa, e que desejan ampliar a relação natural entre os seres. A Grande Alma estará presente, unindo-as, vibrante pela troca que fazes com a irmã árvore. Ali existirá uma comunhão, e esta harmonia repercutirá nas energias desse ambiente, expandindo-se com os círculos provocados na água pelo lançamento de uma pedra nela.
Entretanto, sabendo das dificuldades de uma troca mais amiúde, desejo ensinar a confecção de um elixir energético a partir folhas das árvores.
Essa é uma atividade tipicamente Xamã.
Para essa ação fraterna usamos a parte nobre do ser: o coração! O coração xamã, simples, cândido, apreciador da beleza e respeitoso das leis naturais. Não usarás para este mister o conhecimento, mas a sabedoria; a intuição sobrepondo-se à fantasia e o animal guia - o lobo - farejando as energias pois, através dele, começarás a detecta-las.
Entrarás em contato, cada dia, com uma árvore diferente, durante vinte e um dias seguidos, e colherás uma folha de cada uma delas. Começarás a tarefa no primeiro dia de lua crescente e terminarás no último dia de uma lua minguante. Isso poderá ser realizado a qualquer hora do dia ou da noite e mesmo nos dias de chuva. Já sabes que entrar em contato quer dizer poder sentir sua harmonia.
Ao retirares a folha que buscas, terás recebido da árvore escolhida toda a energia que viste conquistar. Cada árvore estará pronta para entregar a força que possui, desde que consigas uma certa sintonia. Esta potência é uma grande parte da própria Grande Alma que está depositada em todos os seres. As árvores são seres perfeitos, e a energia que ali se encontra é pura como a que inicialmente partiu da Grande Alma, para todos. Se a energia idêntica, que tens, se enfraqueçeu por doença física ou espiritual, ou ainda por excesso de racionalismo, deves buscar reforços em outras vidas mais puras. Por isso, estarás buscando socorros nas energias das árvores. O ato de colher a folha será precedido da certeza de que a árvore escolhida, nesse dia, tem q vibração de que necessitas, de acordo com as fraquezas que sentes. Todas elas possuem energia, mas algumas terão mais a ver com os desequilíbrios energéticos que sofres. As folhas irão sendo colocadas, a cada dia, dentro do mesmo recepiente de vidro, com tampa.
Neste foi colocado álcool num volume equivalente à metade da sua capacidade. Ele deve ter um tamanho suficiente para receber as vinte e uma folhas planejadas. Certamente me perguntarás se é tão necessário que os vinte e um dias sejam seguidos sem interrupções, e. caso sejam colhidas em dias alternados, se haverá prejuizos na confecção do elixir. Deixando claro, já que buscas um novo comportamento substituindo valores de uma linguagem perdida e que queres reaver, respondo: sim! Que é muito importante que mantenhas uma disciplina, não por meros princípios de rigidez, mas para que os objetivos sejam ricos em perseverança quando decidires conquistar alguma coisa. Portanto, deves preparar o coração para a alegria de poder, durante esse período, conviver diariamente com a energia das irmãs árvores.
De, novamente, ser recebido por tantas e promover essa troca. Para elas darás amor, abraçando-as e expondo todo o carinho que desejas demonstrar. Delas receberás uma energia importante! Essa energia pode mudar muitas coisas em nossa maneira de ser; mudanças que nos tornam mais felizes e que nos dão uma sensação de estarmos completos, inteiros na vida. Perseverança, paciência e acuidade são parte do faro do lobo, que é parte integrante da alma do xamã. A cada folha que colocares no vidro com álcool, irás sacudi-lo vigorosamente. Ao fim de vinte e um dia estará concluído o trabalho, mas não pronto o elixir.
Deves guardar mais os setes dias da lua nova, completando um período de quatro luas diferentes. O vidro, nessa última semana, estará guardado num lugar escuro. As folhas colhidas poderão ser as mais diversas.
Mais importante do que tornar a tarefa muito fácil, colhendo todas as folhas num mesmo recipiente, ou muito complexa buscando árvores distantes ou de difícil acesso, é estar atento à mensagem de energia que cada uma nos transmite. O que mais vale é ir afinando a visão, o faro e o ouvido para o mundo sutil das energias.
Aproveita esse exercício para aprenderes a entrar em sintonia fina com as mais variadas formas de vibrações. Essa percepção é tão extraordinária, que se torna impossível descreve-la. Mas, a observação constante dos pequenos seres que convivem ao nosso redor, compreendendo o elo de energia que une a todos é a chave que abrirá as portas do conhecimento que, a todos momento, nos ofereçe a Grande Alma...
A partir desses vinte e oito dias, comecarás a usar o tonico. Esse elixir possui o vigos energético e benéfico das plantas. Ele ajudará a vencer depressões, desânimo, falta de espirito de luta, despertando o espirito Xamã adormecido em nós. Ajudará a afastar a melancolia gerada pelo nosso distanciamento da terra, de seu perfume e energia, e pelo prejuízo causado pela falta de ação física, substituídas por atividades meramente sociais.
Com essa energia e perfume, despertarás a sabedoria que mora dentro das cavernas do ser. Um novo entendimento começara a se apresentar, e será fácil decifrar a linguagem energética da natureza.
Após algum tempo, sentirás que estão abertas as portas do conhecimento das propriedades de cada planta, e terás a certeza da utilização medicinal das mesmas em teu benefício ou de outros.
Naturalmente, isso necessita de tempo; e para isso, nos apoiamos no bastão da perseverança. Assimilando uma grande dose de paciência que os exemplos diarios da luta dos vários irmãos insetos contra as suas adversidades, chegará a acuidade, como uma valorização - pela observação - dos cinco sentidos, entorpecidos e pouco usados, substituídos por uma racionalidade excessiva. Não procuramos mais sentir os perfumes com que a vida nos presenteia, nos informar pelo tato, ou, ainda, ouvir as canções dos pássaros, do vento sobre a folhagem, e a carícia da brisa sobra a pela. Mas tudo induzimos, deduzimos analisamos, abafando com uma lógica tirana a sensibilidade, outrora tão importante nas relações com a vida.
Haverá, assim, também um despertar de outros sentidos interiores, ainda mais ricos e subjetivos.
Finalmente, após as quatro semanas e da influência da energia das quatro fases da lua, poderás usar o elixi todas as manhãs aplicando-os nas solas dos pés e nas palmas das mãos, e massageando o local da aplicação. Normalmente, esses elixires possuem um aroma forte de mato e apenas aspirar esse perfume agreste já é uma forma de receber energias e restabelecer um contato entre a natureza e suas vibrações, com poderosos apelos primevos de nossas almas, encarceradas pelos interesses menores e imediatistas, que impedem o alvorecer de nossa felicidade autêntica e natural, mergulhada nas trevas de uma noite interminável, imposta por uma civilização artificial, econônica e utilitária.
Alguns preferem usa-lo à noite, antes de domir. Decide de acordo com as reações que ele provocar.
Para as atividade Xamãs se faz necessário olhos iguais aos de um falcão! Mais do que isso: um coração atento, doce, numa verdadeira sintonia com as enegrias, captando o menor sinal dessa linguagem misteriosa, que é natural para um verdadeiro Xamã.
Quando terminar o elixir, devolverás as folhas à natureza, cavando uma pequena cova no chão e enterrando-as.
Idêntico elixir poderá ser feito com cascas de árvores, pedacinho de galjo - exemplo, cedo e cenela - ou misto, com folhas e cascas. Alguns elixires serão feitos, mais tarde, com cascas de frutos, sementes ou sumo.
Irás experimentando cada uma das fórmulas, utilizando sempre a sensibilidade, que cada dia irá aumentando.
Constatarás que uma infusão de casca de canela, guardada por quatro luas, aumentará o vigor sexual.
Que cascas de maçã, flôr de laranjeira e algumas folhas de louro, guardadas vinte e oito dias no álcool, emitem uma energia que torna, a pessoa que usa, mais brilhante socialmente, atraindo simpatia, atenção dos que a cercam, em especial, as do sexo oposto.
Todas essas infusões são de uso externo, e são aplicadas nas solas dos pés ou nas palmas das mãos; em caso de massagens, poderão ser aplicadas nas costas.
Da mesma forma poderão ser utilizadas raízes ou combinações com estas. Convém anotar cada um dos elixires, mas dificilmente se consegue repetir um elixir de muito sucesso, isso porque há muitas influências subjetivas a cada confecção. Existem inúmeras plantas tóxicas, por causa disso, nos primeiros elixires, antes da chegada de um conhecimento maior, é bom que utilizes plantas bem comuns principalmente folhas de árvores frutíferas de consumo mais corrente.


