Jesus ou Barrabás?
Tomando em seus aspectos simbólicos estes dois personagens em suas correlacões históricas, o quadro apresenta questões que se revelam eternas e sempre recolocadas.
A situação na Galiléia era de crise política, sob opressão do Império Romano. O povo estava alvoroçado, havia um clima revolucionário no ar, muitos queriam se rebelar frontalmente contra o Império, e inclusive derrubar o governo-títere de Herodes. Outros alimentavam perspectivas escatológicas, vendo na crise política-social um sinal das profecias e o indício da chegada de um líder messiânico, mas que proveria também o papel de líder político e até militar.
Foi este o ambiente em que Jesus apareceu, não alimentando contudo as expectativas em vista, antes buscando uma (aparente?) conciliação através de um espírito mais universal e renovador. Sua proposta era, acima de tudo, não-imediatista e, além disto, demandava de cada um um novo olhar não apenas sobre sí próprio, mas também sobre o outro!
Ora, num ambiente de ódio e preconceito, os judeus não estavam lá muito interessados em conciliações. Além disto, havia a questão da inveja e do temor. Jesus criticava fariseus e saduceus, que de resto haviam permitido o comércio no Templo. Estas castas sentiam-se assim ameaçadas em antigos privilégios, pela pregação do novo profeta. Sem argumentos válidos, a calúnia e a traição tornaram-se sua arma principal.
Conspiraram então para gerar a idéia de que os romanos iriam atacar a Galiléia, por causa deste messias que se dizia (?) um novo rei. Ainda que Jesus nunca tenho dito que pretendia reinar na Terra, e tampouco tenha atacado o Império, antes contornando as armadilhas que lhe eram colocadas nesta direção. Os líderes perceberama jogada, Pilatos se recusa a matar Jesus e lava suas mãos do sangue do inocente; Tampouco Herodes quis fazê-lo, apavorado por já haver ordenado a morte de João Batista para atender os caprichos de Salomé.
Então a famosa frase que sintetiza a demagogia farisaica: «Melhor é que pereça um único homem, do que toda uma nação». Ou seja: tentam fazer de Jesus um bode-expiatório da crise política nacional. Solta-se daí o líder revolucionário Barrabás.
Contudo, a Galiléia não foi pacificada com este martírio. As lutas recrudesceram, e ante as profanações do Templo que Roma tentava promover, a nação em peso se mobilizou para lutar.
O Império optou então pela ação extrema, transformando a Judéia em terra arrasada. Já não seria deportações ou êxodos que enfrentrariam os judeus, mas uma verdadeira diáspora pulverizadora - ou senão o genocídio inexorável.
É claro que, para muitos, pesava sobre eles a culpa pela morte do messias.
Assim, os judeus não só jamais alcançaram a almejada liberdade, como perderam a sua terra e ainda ficaram com o estigma de deicídio. Resultaria, na prática, algo como nas ocasiões anteriores, em que a invasão da Galiléia fora atribuída pelos profetas às profanações do templo praticada pelos próprios judeus. Jesus se dizia um «templo» (do qual seria o símbolo final), também a ser destruído e reconstruído. Contudo, o Templo hebreu já não o seria mais, ante as ordens definitivas de Tito. Em contraparte, o que os historiadores afirmam é que, ao final de alguns séculos, o manso Jesus é que venceu Roma...
O Messias seguramente teria percebido a impossibilidade práticar de enfrentar Roma, de vencer o inimigo pelas armas; daí a pregação do amor pelo próprio inimigo. Não com aquele sentido cínico de «se não podes vencer o inimigo, junte-se a ele». Mas de levar até este opressor uma nova mensagem. Jesus ou seus apóstolos terminariam por ver em Roma uma boa estrutura para divulgar a nova lei, de modo que, antes de combatê-la caberia, isto sim, convertê-la.
«Mal comparando», exemplo semelhante tivemos ante nossos olhos em tempos recentes, com a atuação de Gandhi (bastante inspirada em Jesus), resultando na libertação da Índia. Sua vitória só não foi completa face a divisão do país para gerar o Paquistão muçulmano. E depois o Mahatma («Grande Alma») foi assassinado, como simples vingança, por ortodoxos descontentes com sua política conciliadora e renovadora, como sucedera ao Cristo.
Temos assim, uma prova de que os únicos seres que realmente podem realmente fazer mover a História, são aqueles que pensam para além do tempo presente, a partir de pensar também para além de si próprios.
Texto da autoria de LAWS (Luís A. W. Salvi).
A situação na Galiléia era de crise política, sob opressão do Império Romano. O povo estava alvoroçado, havia um clima revolucionário no ar, muitos queriam se rebelar frontalmente contra o Império, e inclusive derrubar o governo-títere de Herodes. Outros alimentavam perspectivas escatológicas, vendo na crise política-social um sinal das profecias e o indício da chegada de um líder messiânico, mas que proveria também o papel de líder político e até militar.
Foi este o ambiente em que Jesus apareceu, não alimentando contudo as expectativas em vista, antes buscando uma (aparente?) conciliação através de um espírito mais universal e renovador. Sua proposta era, acima de tudo, não-imediatista e, além disto, demandava de cada um um novo olhar não apenas sobre sí próprio, mas também sobre o outro!
Ora, num ambiente de ódio e preconceito, os judeus não estavam lá muito interessados em conciliações. Além disto, havia a questão da inveja e do temor. Jesus criticava fariseus e saduceus, que de resto haviam permitido o comércio no Templo. Estas castas sentiam-se assim ameaçadas em antigos privilégios, pela pregação do novo profeta. Sem argumentos válidos, a calúnia e a traição tornaram-se sua arma principal.
Conspiraram então para gerar a idéia de que os romanos iriam atacar a Galiléia, por causa deste messias que se dizia (?) um novo rei. Ainda que Jesus nunca tenho dito que pretendia reinar na Terra, e tampouco tenha atacado o Império, antes contornando as armadilhas que lhe eram colocadas nesta direção. Os líderes perceberama jogada, Pilatos se recusa a matar Jesus e lava suas mãos do sangue do inocente; Tampouco Herodes quis fazê-lo, apavorado por já haver ordenado a morte de João Batista para atender os caprichos de Salomé.
Então a famosa frase que sintetiza a demagogia farisaica: «Melhor é que pereça um único homem, do que toda uma nação». Ou seja: tentam fazer de Jesus um bode-expiatório da crise política nacional. Solta-se daí o líder revolucionário Barrabás.
Contudo, a Galiléia não foi pacificada com este martírio. As lutas recrudesceram, e ante as profanações do Templo que Roma tentava promover, a nação em peso se mobilizou para lutar.
O Império optou então pela ação extrema, transformando a Judéia em terra arrasada. Já não seria deportações ou êxodos que enfrentrariam os judeus, mas uma verdadeira diáspora pulverizadora - ou senão o genocídio inexorável.
É claro que, para muitos, pesava sobre eles a culpa pela morte do messias.
Conclusão
Em suma, Jesus foi vítima dos fanatismos místico e político reunidos e associados. O traidor Judas, de tendências políticas, foi o primeiro aliado estratégico dos fariseus.Assim, os judeus não só jamais alcançaram a almejada liberdade, como perderam a sua terra e ainda ficaram com o estigma de deicídio. Resultaria, na prática, algo como nas ocasiões anteriores, em que a invasão da Galiléia fora atribuída pelos profetas às profanações do templo praticada pelos próprios judeus. Jesus se dizia um «templo» (do qual seria o símbolo final), também a ser destruído e reconstruído. Contudo, o Templo hebreu já não o seria mais, ante as ordens definitivas de Tito. Em contraparte, o que os historiadores afirmam é que, ao final de alguns séculos, o manso Jesus é que venceu Roma...
O Messias seguramente teria percebido a impossibilidade práticar de enfrentar Roma, de vencer o inimigo pelas armas; daí a pregação do amor pelo próprio inimigo. Não com aquele sentido cínico de «se não podes vencer o inimigo, junte-se a ele». Mas de levar até este opressor uma nova mensagem. Jesus ou seus apóstolos terminariam por ver em Roma uma boa estrutura para divulgar a nova lei, de modo que, antes de combatê-la caberia, isto sim, convertê-la.
«Mal comparando», exemplo semelhante tivemos ante nossos olhos em tempos recentes, com a atuação de Gandhi (bastante inspirada em Jesus), resultando na libertação da Índia. Sua vitória só não foi completa face a divisão do país para gerar o Paquistão muçulmano. E depois o Mahatma («Grande Alma») foi assassinado, como simples vingança, por ortodoxos descontentes com sua política conciliadora e renovadora, como sucedera ao Cristo.
A Lição
Temos assim, uma prova de que os únicos seres que realmente podem realmente fazer mover a História, são aqueles que pensam para além do tempo presente, a partir de pensar também para além de si próprios.
Texto da autoria de LAWS (Luís A. W. Salvi).


