Karma Condicional

Submetido por merlin em 2006-02-03 18:27:21 com as tags .
O karma condicional refere-se à condição em que se encontra a individualidade na escala evolutiva. Como exemplos ao alcance da nossa imaginação, podemos citar a condição de sermos mineral, vegetal, animal, hominal e super-hominal. Além do nosso conhecimento sensorial, podemos citar os seres de evolução paralela a humana, tais como os elementais da Teosofia, os exús e orixás da Umbanda, os gnomos, as sílfides, as fadas, as salamandras e muitos outros, alguns prováveis, outros simplesmente possíveis. Além do nosso concebível, temos os seres em condição evolutiva superior a humana, com corpos de energia, ou ainda seres que são pensamento puro, ou os seres coletivos formados por harmonização vibratória e muitos outros que a nossa imaginação sequer alcança. Além disso, temos que admitir a hipótese de existirem seres em outras dimensões, diferentes da nossa e de seres que vivem e evoluem de forma diferente, em outros lugares deste imenso universo material.

A escala é longa, pois a variedade no Universo é imensa. No entanto, pairando acima da infinita variedade das formas, reina a lei da Involução-Evolução, que a tudo e a todos dirige, em todos os espaços, em qualquer tempo e em todas as dimensões.

Para o estudo comparativo, vamos, no entanto, nos restringir aos níveis condicionais com os quais temos contato sensorial direto.

No nível do reino mineral encontramos o espírito na condição mais involuida que podemos conceber. O livre-arbítrio é mínimo e o determinismo, representado pelas férreas leis que regem a matéria, é máximo. A consciência é apenas latente. Difícil é conceber que um átomo tenha espírito! No entanto, se qualquer parte ou condição do Universo existir sem a presença do espírito, chegaremos à conclusão absurda que Deus não é Todo, existindo algo fora Dele! Além disso, a matéria evolui, do Hidrogênio ao Urânio, em sete grandes grupos de valência. O Hidrogênio, por exemplo, evolui, por captação ou expulsão, de mais um eletron e mais um neutron, ao Hélio. O Hélio evolui para o Lítio e este para o Berílio, ao Boro, ao Carbono e assim por diante, até ao Urânio e outros elementos de peso atômico maior, produzidos artificialmente em nossos laboratórios. Nos últimos elementos da escala aparece, de forma mais acentuada, o fenômeno da radioatividade que nada mais é do que a matéria evoluindo para a energia. A energia, por sua vez, fecundando a matéria, evolui para o psiquismo ou vida, onde a consciência desabrocha e passa para o exterior do fenômeno.

Recomendamos o estudo da primeira parte do livro "A GRANDE SÍNTESE", de Pietro Ubaldi, onde a evolução da matéria à vida é exaustiva e cabalmente explicada.

Mas, é nos cristais que notamos mais claramente a presença do psiquismo no reino mineral. Os sete tipos de cristais conhecidos desenvolvem- se segundo eixos pré-determinados. Interpondo-se um obstáculo ao crescimento do cristal, ele contorna este obstáculo e depois de ultrapassá-lo, continua a desenvolver-se segundo eixos geometricamente perfeitos. Eis os rudimentos do psiquismo e da vida já manifestando a sua vontade e direção.

Temos ainda o interessante e elucidativo fenômeno dos vírus sob determinadas condições ambientais, retornando à forma de cristais, tão logo estas condições retornem ao estado anterior. Não podemos esquecer também, que o vírus é claramente um fenômeno vida, pois nasce, morre, se reproduz, alimenta-se e movimenta-se.

Já no reino vegetal o fenômeno vida é bem mais evidente. O vegetal nasce, cresce e morre. Alimenta-se e se reproduz. Estudos recentes levam a crer que os vegetais sofrem, o que nos leva admitir a existência de rudimentos de sistema nervoso no seu psiquismo. É também bastante conhecido o fato de que alguns yoguins conseguem fazer germinar algumas plantas em poucas horas, com auxilio do seu pensamento especialmente treinado, mostrando uma evidente sensibilidade psíquica na planta. Com raras exceções, o vegetal não se movimenta. Em compensação, tem uma qualidade paralela nos estágios superiores: quando mutilado não perde a vida e consegue refazer-se. Esta qualidade ainda persiste em algumas partes do corpos nos animais inferiores, como lagartos e vermes.

Existe ainda algumas formas intermediárias entre o vegetal e o animal, como por exemplo, o caso de certas bactérias que comportam-se ora como vegetal, ora como animal, pairando em uma zona fronteiriça entre os dois reinos.

No reino animal aparecem duas grandes novidades. A capacidade de locomoção e o sistema nervoso, que nas espécies superiores culmina no cérebro.

Podemos notar que nos animais superiores, tais como o boi, o cavalo, o cachorro, o macaco, o elefante, o golfinho e outros, já aparece uma individuação, ou seja, cada um começa a agir por conta própria, desligando-se paulatinamente da alma-grupo. Esta alma-grupo nunca deixa de existir totalmente, persistindo inclusive na fase humana, mas é muito mais clara e atuante nos formigueiros, cardumes, alcatéias e outros fenômenos de vida coletiva do reino animal.

Deste fato podemos inferir que, se tivermos que nos nutrir de animais, é preferível que nos nutramos de animais com alma-grupo acentuada, tais como os peixes, em vez de com os animais já individualizados, como o boi e outros.

No reino hominal o grande fator diferencial que surge é a conscientização. O animal sabe; o homem sabe que sabe. Como na história de Adão, quando percebe que está nu, ou seja, passa a ter consciência de si próprio. Verticaliza-se. Ganha a capacidade do pensamento abstrato. Amplia a capacidade de comunicação através da fala e da escrita. Organiza-se em grupos alicerçados no interesse coletivo. Ganha a capacidade (presente de grego!), de ser feliz e infeliz. Chora e ri. Espiritualiza-se através da arte e do amor. Cultua os seus mortos, o que já indica um sentimento de imortalidade. Balança, atemorizado, entre dois mundo, olhos no infinito, pés atolados no lodo da matéria. Rouba o fogo do conhecimento dos Deuses e por isso, como nos ensina a lenda de Prometeu, ganha também o suplício eterno. Ainda com a ferocidade herdada da sua condição anterior de animal, mas já com anseios de harmonia e paz.

Pela primeira vez, no breve trecho aqui percorrido, o ser influi no seu próprio destino procurando manejar, ainda que desajeitadamente, o leme da sua própria evolução. Ajudado por Irmãos maiores, assediado pelo seu passado, caminha o homem, semi-desperto, em direção ao seu destino final junto ao Criador, prêmio de tanta luta e sofrimento.

Queremos lembrar que poucos descreveram tão bem e de forma altamente científica e poética o aparecimento do Homem na Terra, como o Padre Teilhard de Chardin, no livro "O FENÔMENO HUMANO", sem esquecer o monumento científico-religioso: "A GRANDE SÍNTESE", de Pietro Ubaldi .

De passagem, podemos assinalar que o fenômeno da evolução não é só subida, mas também desemborcamento, assim como o fenômeno da involução não é só queda ou descida, mas emborcamento. Antes da queda, o ser era só Espírito, estando a matéria sob a forma de germe. No auge da queda, na matéria, o ser é todo material, estando por sua vez o espírito encerrado e sob a forma de germe, ou potencial. A evolução seria a exteriorização deste espírito e desemborcamento do ser. Sobre este assunto, para maiores esclarecimentos, recomendamos a leitura dos livros "DEUS E UNIVERSO" e "O SISTEMA", ambos de Pietro Ubaldi. Como exemplo de desemborcamento podemos citar o fato de o vegetal ter os seus orgãos de alimentação, as raízes, embaixo, e os seus orgãos de reprodução, em cima. Já no animal, ambos situam-se no mesmo nível. No homem a posição inverte-se, ou desemborca-se. O seu orgão de alimentação situa-se em cima e o de reprodução embaixo.

Já no reino super-hominal, dos gênios e dos santos, o fenômeno assume proporções novas. A sabedoria e a bondade já foram conquistadas e a luta evolutiva transfere-se para os planos superiores da intuição sintética e da ajuda missionária. Pouco podemos dizer sobre este plano, pois representa o futuro.

Finalizando, queremos reafirmar que o karma condicional não se refere a posição individual de cada um dentro da sua espécie, e sim, às injunções de toda espécie em relação à totalidade. O homem, pela sua própria condição de homem, seja santo ou selvagem, tem de alimentar-se, respirar, trabalhar, sobreviver, expandir-se, comunicar-se, nascer e morrer em corpo físico. Está sujeito aos acidentes de quem tem um corpo perecível, às doenças próprias da matéria, as limitações de velocidade de locomoção, a impotência perante o tempo e as restrições da capacidade mental próprias da condição humana. Nenhum peixe, por mais evoluido que seja em relação a sua espécie, pode viver fora d'água. Nem o mais santo entre os santos pode deixar de respirar a alimentar-se.

A única saída para o karma condicional é a mudança para um nível superior.

Assim está traçada a direção do esforço humano: Para cima, cada vez mais alto, no menor tempo possível, evoluindo na velocidade máxima suportável, tendo a dor e a paz interiores como limites finais.
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