O conto dentro do conto
Havia meses que vivia assustado devido aos terríveis pensamentos de aniquilição que o atormentavam... sobretudo de noite. Deitava-se receando não ver o amanhecer do dia seguinte e não conseguia adormecer até que o sol despontasse, às vezes uma hora apenas antes de ter de se levantar para ir trabalhar. Quando soube que o Iluminado passaria a noite nos arredores do povoado, deu-se conta de que tinha nas suas mãos uma oportunidade única, já que não era frequente que os viajantes passassem nem sequer por perto desse povoado perdido nas montanhas da Caldeia.
A fama precedia o misterioso visitante e, embora ninguém o tivesse visto, dizia-se que o mestre tinha resposta para todas as perguntas. Por isso, nessa madrugada, sem que ninguém de sua casa o notasse, foi vê-lo à tenda que, segundo o tinham informado, ele montara junto ao rio.
Quando chegou, o sol acabava de despontar no horizonte.
Encontrou o Iluminado a meditar.
Esperou respeitosamente uns minutos até que o mestre notasse a sua presença...
Nesse momento e como se estivesse à sua espera, virou-se para ele, com uma expressão calma e ollhou-o nos olhos em silêncio.
- Mestre, ajuda-me. - disse o homem. - Pensamentos terríveis assaltam as minhas noites e não tenho paz nem ânimo para descansar e desfrutar das coisas que vivo. Dizem que tu resolves tudo. Ajuda-me a escapar desta angústia...
O mestre sorriu e respondeu-lhe: - Vou contar-te um conto.
- Entendes? - perguntou o Iluminado.
- Claro que entendo, mestre. Tentar escapar aos maus pensamentos é sair à procura deles. Fugir da morte é ir ao seu encontro.
- É isso.
- Tenho tanto que te agradecer, mestre... - disse o homem. - Sinto que a partir desta mesma noite dormirei tão tranquilo ao recordar este conto que me levantarei sereno cada manhã...
- A partir desta noite... - interrompeu o ancião. - não haverá mais manhãs.
- Não entendo. - disse o homem.
- Então, não entendeste o conto.
O homem, surpreendido, olhou para o Iluminado e viu que a expressão do seu rosto...
já não era a mesma...
A fama precedia o misterioso visitante e, embora ninguém o tivesse visto, dizia-se que o mestre tinha resposta para todas as perguntas. Por isso, nessa madrugada, sem que ninguém de sua casa o notasse, foi vê-lo à tenda que, segundo o tinham informado, ele montara junto ao rio.
Quando chegou, o sol acabava de despontar no horizonte.
Encontrou o Iluminado a meditar.
Esperou respeitosamente uns minutos até que o mestre notasse a sua presença...
Nesse momento e como se estivesse à sua espera, virou-se para ele, com uma expressão calma e ollhou-o nos olhos em silêncio.
- Mestre, ajuda-me. - disse o homem. - Pensamentos terríveis assaltam as minhas noites e não tenho paz nem ânimo para descansar e desfrutar das coisas que vivo. Dizem que tu resolves tudo. Ajuda-me a escapar desta angústia...
O mestre sorriu e respondeu-lhe: - Vou contar-te um conto.
Um homem rico mandou o seu criado ao mercado à procura de alimentos. Mas pouco depois de ali chegar, este cruzou-se com a morte, que o olhou fixamente nos olhos.
o criado empalideceu de susto e saiu a correr, deixando para trás as compras e a mula. A arquejar, chegou a casa do seu amo.
- Amo, amo! Por avor, preciso de um cavalo e de algum dinheiro para sair agora mesmo da cidade... Se sair imediatamente talvez chegue a Tamur antes do anoitecer... Por favor, amo, por favor!
O senhor perguntou-lhe o motivo de um pedido tão urgente e o criado contou-lhe aos tropeções o seu encontro com a morte.
O dono da casa pensou um instante e, apresentando-lhe uma bolsa de moedas, dise-lhe:
-Está bem. Seja. Vai-te embora. Leva o cavalo preto, que é o mais rápido que eu tenho.
- Obrigado, amo. - disse o servo. E, depois de lhe beijar as mãos, correu até aos estábulo, montou o cavalo e partiu velozmente até à cidade de Tamur.
Quando o servo já estava fora do alcance da vista, o homem rico caminhou até ao mercado à procura da morte.
- Porque é que assustaste o meu servo? - perguntou-lhe ele quando a viu.
- Assustá-lo, eu? - perguntou a morte.
- Sim - disse o homem rico. - ele disse-me que hoje se tinha cruzado contigo e que olhaste para ele de um modo ameaçador.
- Eu não olhei para ele de um modo ameaçador. - explicou a morte. - Olhei para ele surpreendida. Não esperava vê-lo aqui esta tarde, porque está estabelecido que devo recolhê-lho em Tamur esta noite!
- Entendes? - perguntou o Iluminado.
- Claro que entendo, mestre. Tentar escapar aos maus pensamentos é sair à procura deles. Fugir da morte é ir ao seu encontro.
- É isso.
- Tenho tanto que te agradecer, mestre... - disse o homem. - Sinto que a partir desta mesma noite dormirei tão tranquilo ao recordar este conto que me levantarei sereno cada manhã...
- A partir desta noite... - interrompeu o ancião. - não haverá mais manhãs.
- Não entendo. - disse o homem.
- Então, não entendeste o conto.
O homem, surpreendido, olhou para o Iluminado e viu que a expressão do seu rosto...
já não era a mesma...


