Um bolero no Ouvido
- Então me abrace forte, por favor... Agora... Gostoso!... Como é próprio dessa dança que você mais gosta...
- Um bolero lento...
- Sim, um abraço de bolero, digamos, inocente... Os pés nem se mexem, só as pernas que se tocam entremeadas... - diz achando graça do que diz.
E um abre a boca pra dizer algo, mas não diz porque a música está um pouco alta, e o outro com o rosto colado pergunta:
- Que disse?
- Nada, - o outro responde.
- Que ia dizer? - pergunta.
- Só pensei - responde.
- Que foi que pensou? - pergunta.
- Nada - responde.
- Parece que ouvi - diz.
- Acho que foi a música - diz.
- Que música? - pergunta.
- Da minha alma - responde rindo.
- Mas eu ouvi - diz.
- É o eco do meu coração, querida - diz.
- Que é isso? - pergunta.
- Uma voz que ressoa na alma - diz.
- Mas eu ouvi...
- É, quando o abraço é de alma ouve-se a voz do coração - diz.
- Abraço de quê? Desculpe, a música está alta...
- Nada. Deixa pra lá, depois eu explico.
Dançam mais um pouco e a música pára, mas eles nem notam e continuam abraçados no meio do salão.
- Está vendo o que está acontecendo ao redor? - pergunta.
- Que é que está acontecendo? - responde com pergunta.
- Já há muito que o bolero acabou e só nós estamos abraçados no meio desse salão... Como se mais ninguém existisse no mundo.
Então os dois olham envergonhados ao redor e vêem que todos os olham assim parados. Mas quando olham ouve-se um aplauso. E todos sem exceção batem palmas porque não há quem não se dobre diante de um encanto desses...
- Um bolero lento...
- Sim, um abraço de bolero, digamos, inocente... Os pés nem se mexem, só as pernas que se tocam entremeadas... - diz achando graça do que diz.
E um abre a boca pra dizer algo, mas não diz porque a música está um pouco alta, e o outro com o rosto colado pergunta:
- Que disse?
- Nada, - o outro responde.
- Que ia dizer? - pergunta.
- Só pensei - responde.
- Que foi que pensou? - pergunta.
- Nada - responde.
- Parece que ouvi - diz.
- Acho que foi a música - diz.
- Que música? - pergunta.
- Da minha alma - responde rindo.
- Mas eu ouvi - diz.
- É o eco do meu coração, querida - diz.
- Que é isso? - pergunta.
- Uma voz que ressoa na alma - diz.
- Mas eu ouvi...
- É, quando o abraço é de alma ouve-se a voz do coração - diz.
- Abraço de quê? Desculpe, a música está alta...
- Nada. Deixa pra lá, depois eu explico.
Dançam mais um pouco e a música pára, mas eles nem notam e continuam abraçados no meio do salão.
- Está vendo o que está acontecendo ao redor? - pergunta.
- Que é que está acontecendo? - responde com pergunta.
- Já há muito que o bolero acabou e só nós estamos abraçados no meio desse salão... Como se mais ninguém existisse no mundo.
Então os dois olham envergonhados ao redor e vêem que todos os olham assim parados. Mas quando olham ouve-se um aplauso. E todos sem exceção batem palmas porque não há quem não se dobre diante de um encanto desses...


